Hoje li, pela manhã, que um jovem americano de 19 anos afirmou, sobre a morte de Osama Bin Laden, que nunca havia sentido emoção tão grande em toda a sua vida.
Pensei, com meus botões: meu Deus, que sociedade é essa em que a morte de alguém pode ser a maior emoção boa que alguém já teve na vida?
Ok, Osama era terrorista. Como o Geroge Bush também é, afinal, que raios ele foi fazer no Iraque????? Mas belê, o Bush não está em questão agora. Voltemos à vaca fria, ou melhor, ao Osama frio. Não pretendo defendê-lo e achava mesmo que ele deveria ter sido preso e julgado pelo atentado de 11 de setembro. Duvido muito que ele tenha sido morto (se é que foi realmente morto) porque não havia como pegá-lo vivo. Ele foi morto porque os americanos precisam mostrar o que acontece com quem faz o que ele fez, com quem ousa desafiar o poder do império.
Sim, o império contra-ataca. Com as mesmas armas, com a mesma estratégia que os terroristas usam. Ah, no 11 de setembro morreram milhares de pessoas? Sim, morreram. E no Afeganistão e no Iraque, quantas será que morreram no que os EUA chamam de guerra ao terror?
Eu vi os ataques de 11 de setembro, como o mundo inteiro viu; como todos, também me emocionei ao saber das vidas ceifadas, das crianças que ficaram em casa esperando o pai ou a mãe que nunca voltariam, dos amores e dos sonhos interrompidos pela tragédia. Só que do mesmo modo também me emocionei ao ver as pouco divulgadas imagens do Afeganistão e do Iraque destruídos, e imaginei quantas famílias de lá também haviam ficado mutiladas, quantas pessoas haviam perdido seus amores, suas casas, sua história, sua identidade.
O que faz com que eles tenham menos direito à felicidade do que qualquer ocidental?
Não entendi, não entendo e nunca entenderei isso. O que entendo é que se os métodos usados são semelhantes e os motivos também, de ambos os lados (grana e poder, o que mais seria?), então os adjetivos também devem ser. Terroristas todos, sem a menor dúvida. A diferença é que enquanto uns têm o aval da ONU, e se não o têm, passam por cima dela, outros mandaram a ONU à merda à muito tempo, o que na prática, dá no mesmo.
Mas, voltando ao início, me deu uma peninha do tal americano de 19 anos. Ah, se ele pudesse ouvir meus pensamentos, eu diria, menino, vc precisa se apaixonar, ter um cachorro, ver alguém nascer, superar um desafio muito grande, ou ajudar alguém a fazê-lo, escalar uma montanha bem alta, estar em algum lugar absurdamente lindo (são tantos), ou ver um céu com tantas estrelas a ponto de se sentir pequeno, pequeno e pensar que o mundo é imenso e que a maior emoção possível é a vida, cara. Não a morte. Não pode ser isso!
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Na minha tarde emocionante e chorosa, eu chorei lendo vc.
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