Preciso deixar registrado que me dá medo o conservadorismo cego, que não questiona as informações que recebe. Elas, é claro, têm a função de manter a sociedade do jeitinho que está - desigual e desumana.
Me dá medo o conservadorismo que não se dispõe a abrir o próprio bolso em nome de uma sociedade mais justa. Aquele que não é capaz de reconhecer os méritos do outro só porque o outro não tem estudo, não é de uma determinada classe, não pensa como eu, etc, etc, etc. É claro, se eu não me vejo no outro, não o respeito.
Me dá medo o conservadorismo que apregoa a evolução espiritual(pela via religiosa, quase sempre) e não se dispõe a olhar para esse outro, tão diferente de mim, como um ser humano. Não é o nordestino lá dos grotões do Piauí. Não é o índio aculturado e pobre do meio da amazônia. Não é o favelado analfabeto funcional e vítima do sistema. Não é a faxineira que não sabe ler e escrever. Do mesmo jeito que não é o gay, o preto, o gordo. E também não é o rico, o burguês, o bem nascido. É um ser humano, como eu, pô. É isso que precisa ser visto, antes de tudo.
Mas o conservadorismo impede essa visão, por maior que seja a religiosidade do sujeito que vê. Impede porque a atrela a modelos pré-estabelecidos do que é ser "um cidadão de bem". O cristão mais renhido, se não se desfizer do conservadorismo, olhará um gay e não o verá como um igual. É claro que cristãos e gays estão sendo citados como meros exemplos. Poderia ser qualquer outra religião e qualquer outra minoria que o raciocínio seria o mesmo.
Faz-se de conta que o outro é um ser humano, mas isso é uma falácia, não se sustenta, pois se eu visse o outro assim, julgá-lo-ia igual a mim e, logo, detentor dos mesmos direitos, inclusive materiais e culturais, que eu. Então não faria sentido discutir os direitos das empregadas domésticas ou o casamento homossexual (meros exemplos, de novo). Essas seriam discussões simplesmente inimagináveis, porque o que seria direito para mim, também o seria para o outro.
Mas o mundo não é assim. E, é claro, "pela força da grana que ergue e destrói coisas belas", as minorias se ferram mais.
Não é a religião. Não, meu caro Marx! O conservadorismo é que é o ópio do povo. Sem boa vontade e mente aberta o mundo não vai mudar NUNCA!!!
Por um lugar sob o sol
2 horas atrás
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