02/11/10

Acabou a eleição e os pirilampos voltaram à SAP

Enfim acabaram-se as eleições. Ainda bem. Não aguentava mais ter de discutir política. Sei que deveria fazer isso o ano todo, mas simplesmente me canso.

Mas, esse final de semana, aconteceu uma coisa linda. Os pirilampos voltaram à SAP. Sério, no domingo à noite havia centenas de luzinhas piscando no escuro do mato. Lindo, lindo. Há quem tenha medo, mas para mim pirilampos - ou vagalumes - são parentes das fadas.

Sim, sim, é um modo de ver. Na verdade, quase tudo é um modo de ver. Quando os cogumelos nasceram no meu jardim, eu preferi acreditar que havia uma metrópole de duendes no gramado. Por que não? Um pouco de poesia na vida, sempre tão crua, torna as coisas muito mais divertidas. É ponto de vista, sabe?

Tive um professor na facul (na UFRGS), o Fisher, apelidado pelos colegas de Fetão (ele parecia um bebezão grande e magrelo). Genial, o Fisher. Todos o adorávamos. Ele sempre contava que, quando criança, tinha um amigo que fazia o mesmo caminho que ele, para ir de casa à escola, e no caminho desse amigo aconteciam todas as coisas do mundo, eram mil aventuras todos os dias, e ele morria de inveja, porque com ele não acontecia nada. Foi preciso crescer e estudar literatura para entender que a questão toda centrava-se em COMO o amigo via as coisas que aconteciam. A aventura e a poesia estavam nos olhos do amigo, e não no caminho que ambos faziam.

No me gusta mucho Leila Pinheiro e bossa nova em geral, mas sou forçada a acreditar que é tudo uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Muitas vezes, pelo menos.

Por essas e outras pirilampos, para mim, são parentes de fadas. E quando olho para o mato escuro não penso na escuridão, mas na luz daqueles adoráveis insetinhos.

1 comentários:

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