Sou, decididamente, uma criatura esquisita. Falo muito, ouço muito, trabalho muito, como muito, me exercito pouco, nunca tenho tempo mas estou sempre arrumando mais coisas para fazer. Em nome do quê? Em nome de perseguir o sonho de ter mais tempo.
Engraçado. Quando eu tinha 16 anos escrevi um pretenso poeminha que falava precisamente de tempo, com as palavras que seguem:
" Passa o tempo de um tempo louco
E nos momentos desse tempo, eu vejo que não tenho tempo
E isso me faz parar para dar um tempo
E hoje, dando tempo ao tempo
Eu sei que o tempo passa
Mas também sei que posso ter tempo
Basta que eu pare simplesmente
De girar na roda-viva do tempo
De um tempo criado por homens
Não-humanos e sem tempo
E que, se não têm tempo para amar
Menos o têm para ter tempo."
Ah, tinha outro também, singelo e pequeno
"O tempo, esse inimigo das horas do coração
Espera e ri, manso e quietinho, na curva do caminho
Os homens imprudentes, que sonham, desde menininhos
Com segurá-lo pondo deitada uma ampulheta."
Mais de 20 anos se passaram. Engordei, estou começando a ter algumas rugas, não tenho mais saco para um monte de coisas... e continuo perseguindo o tempo, querendo pará-lo, querendo fazê-lo se multiplicar.
Qual parte do "tempo implacável" será que eu não entendi?
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Fiquei imaginando a Ma adolescente, escrevendo e vivendo isso... :)
ResponderExcluirAh, se todos no mundo fossem estranhos como vc!
ResponderExcluir:)
Acho que o que vale mesmo é o tempo do gozo, dos amigos, das coisas boas... esse não dá pra congelar, mas dá pra guardar no coração.
<3