06/04/10

Tudo se transforma

Estava ouvindo Todo se transforma, do Jorge Drexler. O clip da música não tem nada a ver com a música. Aliás, tem a ver, mas é raso, óbvio, sem graça, enquanto a música é profunda, intensa, sensual.

Aí comentei isso com minha amiga Ana. Como é possível que não se tenha pensado em fazer um clip mais... como direi... aveludado (é, acho que essa é uma boa palavra) dessa música?

Por que aveludado? Porque a música é macia, gostosa, quente e, por isso mesmo, sensual; mas não de uma sensualidade óbvia nem apelativa. É uma sensualidade primordial, ligada a um impulso de vida. A Ana entendeu direitinho o que eu estava falando e completou que a música tinha o impulso de Eros. Ah, Aninha e suas palavras precisas!

Bingo! Eros é vida e, sim, a vida é sensual. A possibilidade de estar vivo e fazer trocentas mil coisas é muito sensual. A natureza com todas as suas cores, cheiros e sabores é completamente sedutora. E a música de que estávamos falando é assim, como uma boa comida que, ao ser colocada na boca, vai direto do paladar ao pensamento e passa a existir sozinha, por alguns momentos, exclusivamente para nosso deleite. Como um bom vinho, primeiro vermelho, intenso, bonito prá caramba, depois, ao primeiro gole, gostoso, provocador, capaz de fazer cessar, em segundos, a lógica de que todos nos valemos para sobreviver.

Essas pequenas coisas são meio divinas, têm um quê de orgasmo que pode acontecer em público, sem nenhum pudor. É o prazer puro, o impulso criativo e saudável que faz a vida ter muito mais graça!

E aí vai o clip do Jorge cantando Todo se transforma. Não o feiinho. Escolhi um de um show. Embora não seja perfeito, a música está aí! Deixem-se seduzir pela vida!


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