10/03/10

“Navegar é preciso; viver não é preciso”,

Precisão é uma coisa fantástica. A palavra precisa, o sabor preciso, a cor precisa, o momento preciso, o verso preciso.

Quem já leu Ode ao Tomate, do Neruda? Nesse poema há alguns versos de extrema precisão. Neruda diz que o tomate “ ... llena las ensaladas de Chile/ se casa alegremente con la clara cebolla/ y para celebrarlo/ se deja caer aceite/ hijo esencial del olivo...”

A expressão “hijo essencial del olivo” é precisão pura! Tanto do ponto de vista lingüístico quanto do gourmet. Tão preciso que todo o sabor, o perfume e o significado do azeite estão nela.

Falando em Neruda, tenho uma foto minha batendo um papo com o busto dele, na frente de sua casa, em Isla Negra, perto de Valparaíso. Fico imaginando se ainda está tudo lá, no seu devido lugar, depois do terremoto e da tsunami. Como somos frágeis diante da natureza! E atrevidos, porque se tivéssemos noção real de toda a nossa fragilidade, não brincaríamos com a natura dessa forma!

Decididamente, viver não tem precisão alguma! E, segundo o Riobaldo, “é muito perigoso”!

Ui!

1 comentários:

A palavra é sua!