Precisão é uma coisa fantástica. A palavra precisa, o sabor preciso, a cor precisa, o momento preciso, o verso preciso.
Quem já leu Ode ao Tomate, do Neruda? Nesse poema há alguns versos de extrema precisão. Neruda diz que o tomate “ ... llena las ensaladas de Chile/ se casa alegremente con la clara cebolla/ y para celebrarlo/ se deja caer aceite/ hijo esencial del olivo...”
A expressão “hijo essencial del olivo” é precisão pura! Tanto do ponto de vista lingüístico quanto do gourmet. Tão preciso que todo o sabor, o perfume e o significado do azeite estão nela.
Falando em Neruda, tenho uma foto minha batendo um papo com o busto dele, na frente de sua casa, em Isla Negra, perto de Valparaíso. Fico imaginando se ainda está tudo lá, no seu devido lugar, depois do terremoto e da tsunami. Como somos frágeis diante da natureza! E atrevidos, porque se tivéssemos noção real de toda a nossa fragilidade, não brincaríamos com a natura dessa forma!
Decididamente, viver não tem precisão alguma! E, segundo o Riobaldo, “é muito perigoso”!
Ui!
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12 horas atrás
É e não é!
ResponderExcluir:^)