Música é uma forma de arte muito democrática, não? Tem prá todos os gostos, de todas as formas, boa e ruim, não precisa entender muito dela para gostar. Ou não.
Estou ouvindo, nesse momento, Samba Pa Ti, do Santana. Eu ADORO essa música. Uma vez fui a um show dele, no saudoso Olympia, na rua Clélia; cheguei super cedo, fiquei grudada na grade, bem na cara do palco. Num certo momento eu bocejei e o Santana viu, chegou bem perto de mim (a grade era pertinho, no Olympia), agachou-se e me perguntou se eu estava cansada. Respondi que sim. Perguntou se eu queria que ele parasse de tocar. Falei, rindo, que não. Aí ele perguntou se eu queria que ele tocasse alguma coisa especial. Pedi Samba Pa Ti. E ele tocou. Divino!!!!!
Às vezes as musas abençoam algum artista. Elas abençoaram o Santana quando ele compôs Samba Pa Ti. É uma música intensa, vibrante, mas equilibrada, boa de se ouvir, não cansa o ouvido, tem a duração certa.
Com Toquinho e Vinícius também foi assim, eles viveram um triângulo amoroso com a inspiração, triângulo esse que se desfez junto com a parceria. Um sem o outro não funcionava tão bem. Soneto do Corifeu, Regra Três, Escravo da Alegria e Samba da Bênção, essa última, a despeito de todo o machismo contido em sua letra, são algumas das minhas favoritas.
Mas eu tenho uma versão de Samba da Bênção que quase não consigo ouvir. É intragável, pois nela o Vinícius, com sua voz de ébrio, se põe a explicar, em um portunhol medonho e com sotaque carioca, como tinha sido aquela composição. Dispensável, meu caro Vinícius. Totalmente dispensável. Hoje você deve saber disso, afinal, a morte deve trazer à alma certa sabedoria.
Não, antes que me condenem, não tenho nada contra o sotaque carioca. É que falar qualquer língua com sotaque muito carregado de sua própria língua é super estranho. Lembro-me de Francisca, uma colega minha de francês nos idos anos 90, que soltou um dia, na aula, com todo o charme do sotaque nordestino: “Comment allez vouz, bichinho!”. Foi uma gargalhada só.
Eu, particularmente, acho os sotaques em geral muitíssimo divertidos; ilusão achar que há um sotaque padrão, que não seja cantado. Não! Todos cantam, mas as músicas é que são diferentes.
Música outra vez. Música o tempo todo – quando falamos, quando rimos, quando choramos, quando nosso coração bate. Ritmo. A vida é cheia de ritmo. A vida tem melodia. É triste, tensa e agressiva, às vezes, mas é sempre inegavelmente melódica.
E, para fechar esse post, aí vai o link do Santana tocando Samba Pa Ti. Nesse show ele dá umas viajadas no meio da música, mas tá valendo. Ele pode. Ave Santana!
A dignidade dos chimpanzés
2 horas atrás
Amiga, minha trilha sonora anda tão estranha!
ResponderExcluir(e nós duas estamos - de alguma forma - sintonizadas porque eu tava pensando em escrever sobre música, acredita?)
:D
Saudade.
Beijinhos.
Gostei muito do texto.
=)